Surto de varíola dos macacos pode ter origem em duas aves na Europa, afirma conselheiro da OMS

O surto de varíola dos macacos na Europa pode ter sido causado por hábitos sexuais de risco e raves na Espanha e na Bélgica, segundo David Heymann, conselheiro da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda de acordo com ele, o maior surto da doença na história da Europa pode ser encarado como um “evento aleatório”.

O médico, que anteriormente chefiou o departamento de emergências da OMS, disse em entrevista à Associated Press (AP), que a principal teoria para explicar a propagação da doença é a transmissão sexual entre homens gays e bissexuais em duas raves realizadas nos dois países.

“É muito possível que alguém tenha se infectado, desenvolvido lesões nos genitais, nas mãos ou em outro lugar, e depois tenha espalhado para outras pessoas quando houve contato físico ou sexual próximo”, disse Heymann. “E então houve esses eventos internacionais que semearam o surto em todo o mundo, nos Estados Unidos e em outros países europeus”.

Se confirmada a teoria, o surto atual segue roteiro atípico para a doença, já que na África Central e Ocidental — onde a doença é endêmica —, as pessoas são infectadas na maioria das vezes por animais como roedores selvagens e primatas, e os surtos não se espalharam para além das fronteiras.

Um relatório do governo alemão obtido pela AP, disse que espera ver mais casos e que o risco de pegar a varíola dos macacos “parece estar principalmente em contatos sexuais entre homens”.

Os quatro casos confirmados na Alemanha foram associados a exposição à doença em “eventos de festa, incluindo nas Ilhas Canarias e em Berlim, onde ocorreram atividades sexuais”, afirmou o documento.

As autoridades de saúde de Madri disseram nesta segunda-feira que a cidade registrou 30 casos confirmados até agora. Segundo Enrique Ruiz Escudero, conselheiro de saúde da capital espanhola, as autoridades estão investigando possíveis ligações entre um evento de orgulho gay nas Ilhas Canárias, que atraiu cerca de 80 mil pessoas, e casos de pessoas que testaram positivo para a doença após frequentar uma sauna em Madri.

Heymann presidiu uma reunião urgente do grupo consultivo da OMS sobre ameaças de doenças infecciosas na última sexta-feira para avaliar a epidemia em andamento. Ele disse que não há evidências que sugiram que a varíola possa ter se transformado em uma forma mais infecciosa.

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