Ex-secretário nacional de Vigilância em Saúde participa de coletiva em Pernambuco e alerta: “Segunda onda de Covid dependerá do distanciamento social”

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Preocupação em vários países do mundo que controlaram as taxas da Covid-19, uma segunda onda de casos e óbitos da doença é um cenário que deve ser levado em conta em Pernambuco, como reforçou, em coletiva de imprensa virtual, nesta sexta-feira (11), o epidemiologista e ex-secretário nacional de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira. Na coletiva, foi feito um balanço dos seis meses de pandemia no Estado, que serão completados neste sábado (12).

“A possibilidade estará diretamente relacionada à capacidade de cada um de manter o distanciamento social”, destacou Wanderson, ao citar como exemplo as aglomerações vistas principalmente em praias do Estado no feriadão da Independência, no início desta semana, e acompanhadas de desrespeito às regras sanitárias da pandemia.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, André Longo, também presente na coletiva, o cenário epidemiológico atual de Pernambuco não indica uma segunda onda mesmo com a retomada das atividades e com cenas de dificuldades de distanciamento social dentro do transporte público. “Mesmo com essa retomada, não temos, até o momento, nenhum indicador que aponte para uma segunda onda, mas tomamos o cuidado para esta possibilidade”, disse.

Wanderson lembrou ainda que, apesar das quedas nos índices, o momento ainda não é de relaxar. “Se o cenário mudar, é preciso fazer uma quarentena mais rigorosa. É importante não deixar acontecer as aglomerações em locais públicos. Não temos vacina, só temos máscara e álcool em gel”, completou.

Antigo braço direito do então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, Wanderson, que deixou o cargo em abril, atualmente presta consultoria à Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) em um trabalho feito em parceria com a Organização Pan-americana de Saúde (Opas). Ele destaca que, apesar do cenário global de subnotificação e de estudos que apontam até 10 vezes mais casos que o número real, não se deve esperar imunidade coletiva para não aumentar os números de óbitos.

“Um estudo americano colocou que para cada caso que conheço, tenho dez que não conheço. Se multiplicamos o total do Brasil de hoje, vamos ter entre 40 e 60 milhões de casos. Ainda assim, 150 milhões de pessoas que não pegaram a doença são suscetíveis”, lembra Wanderson ao citar a importância, principalmente entre os mais jovens, da continuidade das medidas de proteção ao novo coronavírus.

Para o ex-secretário nacional, o comportamento do feriadão não pode ser repetido caso não haja um aumento do número de casos e mortes nos índices do Estado nos próximos dias. “Não vamos olhar para o episódio da praia e enxergar como resultado. O que me preocupa é que não vai ser e as pessoas vão ficar repetindo esse comportamento. É como brincar à beira do precipício”, continuou.

“A probabilidade [de segunda onda] existe e é alta, e vai ser mais alta enquanto menos pessoas vimos com máscaras nas ruas. Ou seja, quanto mais aglomeração e mais gente sem máscara, mais possibilidade de segunda onda”, acrescentou Wanderson.

“Pernambuco, desde o início da primeira quinzena de maio, apresenta um queda sustentada de óbitos. Isso corrobora com o perfil do padrão de doenças respiratórias”, frisou o ex-secretário nacional. A ampliação da capacidade de testagem, aliada às medidas restritivas, foi fundamental nesse processo, segundo ele, uma vez que o Estado, quando iniciou a resposta à pandemia, processava apenas mil amostras por dia. “Hoje, somente o Lacen-PE consegue fazer três mil amostras por dia. E isso fica como um legado importante. A epidemia não traz somente pontos negativos”.

Atualmente, a letalidade da Covid em Pernambuco está próxima ao que espera a literatura médica. “Estamos dentro do padrão de equilíbrio, ou esperado para a doença. Os dois foram reduzindo ao longo do tempo. Os resultados dos testes vão dar cada vez mais negativo. A causa daquela gripe pode ser outro vírus ou até outros coronavírus, que são responsáveis por cerca de um terço das gripes todos os anos”, citou Wanderson.

Wanderson Oliveira analisou vários parâmetros dos dados da doença no Estado, como a distribuição por macrorregionais de saúde e raça/cor, sobretudo dos casos que evoluíram a óbito. “As mulheres se cuidam muito mais, é importante olhar para essa característica epidemiológica. Por isso, a letalidade entre as mulheres é muito menor. É um cuidado que temos que alertar”, destacou.

Testagem de vacinas em Pernambuco

Questionado sobre a participação de Pernambuco em testes de potenciais vacinas contra a Covid-19 com pacientes locais, André Longo afirmou que o Estado não tem nenhum planejamento para parceria neste âmbito. “Não fomos procurados por nenhum dos atores. Acompanhamos o movimento de outros estados, mas não há planejamento para parceria nesse momento”, pontuou.

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