Comitê do Consórcio Nordeste teme ‘efeito bumerangue’ de casos da Covid-19 no interior; Petrolina (PE) é citada

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O crescimento dos casos do novo coronavírus no interior dos estados do Nordeste foi tema do novo boletim do Comitê Científico de Combate ao Coronavírus (C4) do Consórcio Nordeste. Segundo o estudo apresentado em coletiva, a interiorização do novo coronavírus vai contribuir para “um fluxo de pacientes em estado grave para as capitais dos estados”. Em Pernambuco, as cidade de Cupira, Pesqueira, Petrolina, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama foram as que registraram, no dia 29 de junho, o pico do crescimento da Covid-19 no estado.

Para Miguel Nicolelis, um dos coordenadores do comitê científico do Consórcio Nordeste, a situação de um fluxo de infectados do interior voltando para as capitais é o novo desafio para os estados do Nordeste. “O tema central desse novo boletim é a interiorização da Covid. No gráfico é possível ver o aumento de cidades com mais de 400 casos. O efeito bumerangue no boletim se refere ao fato de que a doença começou no litoral e agora os casos que foram para interior vão voltar para as capitais. Em São Luiz, Maceió, Fortaleza e Salvador, você já pode notar um fluxo grande de casos voltando pras capitais”.

“Nesta condição, o aumento de casos no interior dos estados resulta num fluxo de pacientes em estado grave para as capitais dos estados, uma vez que estas são as únicas que dispõem da infraestrutura hospitalar adequada (como leitos de UTI) para tratar destes casos. Apesar de terem experimentado uma redução temporária nas taxas de ocupação de leitos de enfermaria e UTI recentemente, todas as capitais brasileiras podem se deparar com o cenário no qual uma verdadeira avalanche de casos graves, advindos do interior, voltariam a produzir uma sobrecarga dos seus sistemas hospitalares, ameaçando-os com um colapso em um intervalo de tempo muito curto”, explica o boletim.

O documento recomenda que seja repensada a reabertura e algumas cidades adotem o ‘lockdown’, como Salvador (BA), Feira de Santana (BA), Teixeira de Freitas (BA), Maceió (AL) e Aracaju (SE). Para o estado de Pernambuco, o comitê recomendou a medida para Caruaru, que já foi adotada em 26 de junho e terminará em 5 de julho. O Comitê também pediu a implantação de medidas como a construção de barreiras sanitárias e o estabelecimento de rodízios intermitentes durante a semana. O boletim reitera que só é recomendável uma retomada quando forem alcançados três pontos: um Rt (taxa de contágio) sensivelmente abaixo de 1, curvas de casos e óbitos com quedas consistentes por mais de 14 dias e taxa de ocupação de leitos (enfermaria e/ou UTI) em até 70%.

No Recife, mesmo com uma queda das internações durante 45 dias, é possível observar uma taxa de 65% dos leitos da rede municipal sendo ocupados por pacientes do estado. Entre 169 pacientes internados na última quarta-feira (2) nas vagas de UTI, apenas 60 eram moradores da cidade e cerca de 22 pacientes eram de Caruaru. “Além disso, o estado deveria estabelecer urgentemente uma rotina de execução de inquéritos soroepidemiológicos por todo o estado”, comenta o relatório.

Enquanto no dia 15 de abril eram 112 microrregiões nordestinas com menos de 50 casos confirmados, em 20 de junho o número passou para apenas 6 microrregiões. “Como antecipado em vários boletins anteriores, o processo de interiorização dos casos de Covid19, que já era aparente no final de maio, concretizou-se de forma definitiva por todo o Nordeste, bem como em todo território brasileiro, ao longo do mês de junho”, pontua o texto.

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