Com luz e comida mais baratos, Brasil tem deflação pela 1ª vez em 11 anos

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Esse movimento de queda de preços – a deflação – não ocorria desde junho de 2006. O índice veio mais robusto do que o esperado por analistas consultados pela agência Bloomberg (de queda de 0,18%) e é o mais baixo desde agosto de 1998, quando o IPCA caiu 0,51%.

O País vive um movimento de redução acelerada da inflação em função, principalmente, da crise econômica e do desemprego, que desestimulam o consumo – e que “levam o comércio a fazer ofertas e promoções”, disse Eulina Nunes, coordenadora do Índices de Preços do órgão -, e também uma melhora significativa nas safras agrícolas.

“O País está num período de desemprego muito grande e a renda continua caindo. redução de consumo, o que gera efeito em cadeia”, afirmou a coordenadora.
“A inadimplência continua enorme. A questão dos alimentos no ano passado, com quebras de safras [e alta de preços], não foi pontual. Os alimentos são um quarto da despesa do trabalhador. É um conjunto de fatores que levam à deflação.”

GASTOS DOMÉSTICOS

Os alimentos, que representam pouco mais de um quarto de todo o IPCA, caíram 0,50% puxados pela alimentação em casa (-0,93%). O índice de habitação, que verifica os custos que incidem sobre os lares, como serviços públicos, aluguéis e condomínios, recuou 0,77% no mês.

Também ajudou o recuo de 2,84% no preço dos combustíveis, que levaram o grupo “Transportes” a uma queda de 0,52% no período. A Petrobras reajustou para baixo os preços da gasolina no final de maio e em junho, e o etanol ficou 4,66% mais barato no mês.

Ainda houve forte redução, de 5,52%, nas contas de luz, que reverteram a alta de 8,98% em maio graças à mudança da bandeira vermelha para a verde, mais barata, resultando em redução de R$ 3 a cada 100 kWh consumidos. Das regiões pesquisadas, apenas o Recife não teve queda de preço na tarifa em junho.

Há a expectativa, porém, de que em julho a energia possa voltar a subir em algumas áreas, devido, por exemplo, aos reajustes de tarifas das distribuidoras de energia e à volta da bandeira amarela, mais cara.

Para Eulina Nunes, do IBGE, queda nos preços é menos sentida no bolso pela população do que as altas dos anos anteriores.”Quando a inflação aumenta, o poder aquisitivo cai e isso é sentido bem claramente. Quando a inflação para de subir ou até cai, só sentirá o alívio no bolso aquele trabalhador que tenha tido algum reajuste recente no salário. O patamar de preços, embora em queda agora, continua alto”, disse. (Agência Brasil).

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