Vereadores de Camaragibe (PE) abrem novo pedido de impeachment contra prefeito que está preso

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A Câmara de Vereadores de Camaragibe autorizou a abertura de um novo pedido de impeachment contra o prefeito afastado Demóstenes Meira (PTB). O placar da votação foi elástico: do total de 13 parlamentares, 11 deram aval ao processo e um se absteve. Foi aceita uma ação que pede a cassação de Meira impetrada por um cidadão comum com residência na cidade.

“O autor da denúncia se baseou nas investigações da Polícia Civil que estão sendo feitas contra o prefeito afastado”, disse o presidente da Câmara, vereador Toninho Oliveira (PTB), desafeto de Meira, nesta segunda-feira (12), ao Diario. Na Operação Harpalo, há suspeitas de fraudes em licitação na reforma da sede da Prefeitura de Camaragibe, além de corrupção e lavagem de dinheiro. Investigadores suspeitam de que Meira seria o líder da organização criminosa que praticava os supostos crimes. Para o vereador Toninho, o prefeito Meira traiu o povo ao cometer crimes. “Eu fui já fui defensor dele. Com um tempo, passei a ser chamado de traidor porque disseram que não estava mais ao lado de quem me elegeu. Mas quem me elegeu foi o povo de Camaragibe e eu não posso ficar ao lado de quem comete crime e pratica corrupção”, disse o presidente da Câmara.

A sessão legislativa começou por volta das 9h e foi aberto ao público, que tomou o espaço destinado. Para que Meira se tornasse réu em um novo processo de impeachment, eram necessários 2/3 dos votos no Parlamento municipal, ou seja, 9 de um total de 13 vereadores precisam dar aval à denúncia. O número de vereadores favoráveis atingiu a marca de 11, ou seja, houve margem de folga contra o prefeito afastado.

Conforme determina a Constituição, em caso de aceitação de impeachment em município, deve ser criada uma comissão com três vereadores, via sorteio, para emissão de um parecer em até 90 dias. Diante isso, foram sorteados para integrar o colegiado os vereadores Roberto da Loteria, Toninho Oliveira e Cabeça. No plenário, o trio foi favorável à abertura do processo. Além deles, aprovaram a abertura do processo os vereadores Leo Família (PDT), Délio Júnior (PSD), Tomé (PV), Eugênio Vitorino (Pros), Hélio Albino (PDT), Manoel Rodrigues (PP), Adriano da Tabatinga (PV) e Renê Cabral (PRB. O vereador Paulo André (PSB) se absteve. A única ausência foi de Lindomar Santos (PSDB).

Como Toninho e Roberto da Loteria são oposição a Meira desde antes do desgaste político do prefeito, o mais provável é que a Comissão Especial emita, em até 90 dias, parecer favorável à saída definitiva de Demóstenes Meira do cargo. Caso a previsão se confirme no colegiado triplo, em seguida, o plenário delibera se Meira será afastado definitivamente do cargo. “Estou satisfeito com meus pares porque a Câmara precisa cumprir o seu papel de fiscalizar. Muitas pessoas ficam dizendo que o prefeito (afastado) paga pelo que fez, mas quem está pagando é o povo de Camaragibe com uma saúde e uma educação de péssima qualidade. No dia da votação definitiva do impeachment, temos que dar um basta ao povo de Camaragibe lotando esse plenário”, disse o vereador Roberto.

Atualmente, Camaragibe é governada pela prefeita interina Nadegi Queiroz (DC) por um prazo de 180 dias, válido até dezembro, porque o prefeito Demóstenes Meira (PTB) foi afastado pela Justiça após ser preso preventivamente no dia 20 de junho. Ele está detido no Centro de Observação e Triagem Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife. (DP).

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