Ressocialização: Em Pernambuco, detentos produzem 90 mil pães todos os dias

Todas as unidades prisionais de Pernambuco têm padarias garantindo à população carcerária o pão de cada dia. A logística de produção envolve diretamente a mão de obra carcerária formada pelos detentos concessionados que trabalham dentro dos estabelecimentos penais. Cada unidade tem o seu quantitativo de produção, forma de distribuição e o seu modo de pegar na massa.

Embora a receita tradicional do pão seja apenas com farinha, água, sal e fermento, há uma competição no âmbito prisional de quem produz o melhor pãozinho. Deixando essa discussão por conta dos gerentes prisionais, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, por meio da Executiva de Ressocialização (Seres), registra diariamente a produção de cerca de 90 mil pães franceses no sistema prisional, sendo o Presídio de Igarassu (PIG) o maior produtor com dez mil unidades/dia.

A padaria do PIG conta com nove pessoas privadas de liberdade (PPLs), sete na produção e dois no forno, trabalhando de segunda-feira a sábado, das 7h às 16h. Assim, garantem que o alimento chegue aos pavilhões às 6h (café da manhã) e às 15h30 (jantar). Em todas as unidades os presos concessionados ganham remição na pena de um dia a cada três trabalhados e 75% do salário, ficando 25% no pecúlio a ser liberado após a liberdade.

O Presídio Juiz Antonio Luis Lins de Barros (Pjallb), no Complexo do Curado, onde os detentos fazem oito mil pães todos os dias, criou uma forma especial de distribui-los.   Há três anos, 12 PPLs criaram quatro carrinhos padronizados de distribuição nos pavilhões. Pintados e com a frase “Pão Nosso de Cada Dia”, os veículos, divididos em três compartimentos com tampas, percorrem a unidade conduzido também por um detento. O detento Ezaqueu Severino da Silva, 24 anos, é o padeiro responsável do Pjallb. Com a experiência na profissão antes de entrar no sistema, ele conta sua rotina de trabalho. “Acordo às 4h para a primeira fornada e meio dia já entro na segunda. Esse trabalho me traz benefícios e só vai me ajudar quando eu sair daqui” [do Pjallb]. (ascom/fotos divulgação/Seres)

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