Poliomielite: risco de reintrodução da doença no país acende alerta em Pernambuco

A Organização Pan Pan-Americana de Saúde (Opas) fez um alerta para os países americanos, em especial Brasil, República Dominicana, Haiti e Peru, sobre o sério risco da reintrodução da poliomielite em seus territórios devido às baixas coberturas vacinais. No Brasil, essas coberturas ainda preocupam deixando bolsões de crianças suscetíveis ao adoecimento, caso não tenham recebido a imunização em tempo oportuno.

Atualmente, Pernambuco contabiliza a 7ª melhor cobertura vacinal do país (76,54%) na Campanha Nacional, quando considerada a população entre 1 e 4 anos de idade, segundo painel do Ministério da Saúde. No entanto, o percentual ainda está longe da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde (MS), que é vacinar 95% do público elegível.

Dos oito Estados com as coberturas vacinais acima de 75%, cinco deles estão localizados na região Nordeste (Paraíba, Alagoas, Ceará, Sergipe, além de Pernambuco). No Estado, 538.868 crianças de 1 a 4 anos de idade estão aptas a receber a vacina de proteção contra a poliomielite. Até o momento, dos 184 municípios, apenas 65 deles atingiram a meta de cobertura (ver listagem em anexo) e outros 9 estão com indicadores abaixo dos 50%.

Doença que pode causar paralisia permanente e irreversível, a poliomielite é considerada uma doença prevenível por meio da vacinação. Em Pernambuco, foi prorrogada até o dia 31 de outubro a Campanha de Imunização contra a doença, com foco em crianças entre 1 e 4 anos. Especificamente neste recorte etário, foram aplicadas 412.448 doses.

“É real a possibilidade do surgimento de um surto de poliomielite no Brasil. A circulação do vírus da pólio já foi identificada recentemente nos Estados Unidos e pode se espalhar rapidamente. A poliomielite é uma doença grave, sem cura conhecida, mas que é perfeitamente evitável por meio da vacinação. Em 1994, a Região das Américas recebeu o certificado de área livre da pólio concedido pela Organização Mundial de Saúde, entretanto, corremos sérios riscos de ter esse panorama alterado”, chama a atenção a superintendente de Imunizações de Pernambuco, Ana Catarina de Melo.

O último caso registrado da doença no Brasil foi em 1989, na Paraíba. No mundo, dois países são considerados endêmicos para poliomielite e registraram casos neste ano de 2022, Paquistão (19) e Afeganistão (02). Além destes dois países, Moçambique identificou seis novos casos da doença até setembro deste ano.

O esquema vacinal para proteção contra a poliomielite consiste na aplicação de três doses da vacina VIP (vacina inativada pólio), aplicada por meio de injeção, até os 6 meses de vida do bebê. Além disso, é recomendada outras duas doses da vacina até os 4 anos de idade, sendo esta por via oral (vacina VOP – vacina pólio oral), também conhecida como “gotinha”.

“A campanha nacional, que acontece todos os anos, busca alcançar aquele público formado por crianças menores de 5 anos de modo indiscriminado, ou seja, independente de situação vacinal anterior. As crianças com esquema vacinal incompleto ou inexistente estão extremamente vulneráveis”. A gestora ressalta ainda que a vacina contra o poliovírus selvagem (PVS) foi disponibilizada pela primeira vez em 1955, sendo a estratégia de vacinação em massa da população iniciada nos anos 1960.

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