Petrolina (PE): Mãe e viúva de policial da Bahia, morto por engano, revelam detalhes da tragédia

A mãe do policial militar da Bahia, Joanilson da Silva Amorim, de 33 anos morto por engano, ao ser confundido com criminosos durante uma ação da Polícia Civil de Pernambuco no bairro Jardim São Paulo, em Petrolina (PE), detalhou nesta sexta-feira (17), à reportagem do Programa Edenevaldo Alves o que presenciou minutos antes da tragédia.

Dona Regina Maria Amorim disse que estava em casa na tarde da última segunda-feira (13), quando a neta percebeu  uma movimentação estranha no quintal.  Regina diz que foi verificar o que estava acontecendo, e flagrou um suspeito correndo dentro do muro. “ele disse: a polícia está atrás de mim”, mas fugiu logo em seguida pulando o muro.

A mãe de Joanilson afirma que logo em seguida chamou o filho, que estava no quarto da casa, e relatou o que havia presenciado. Ele foi verificar dentro da casa,  momento em que uma policial civil bateu no portão da residência.

Dona Regina relata que a policial perguntou se eles haviam visto um suspeito na casa.  “Eu disse: Tem não. Ele pulou aqui dentro, mais já pulou pro outro lado”, reforçando que não tinha conhecimento da operação que estava acontecendo na rua.

Ela diz que o filho ainda chegou a verificar com a policial no entorno da residência, mas que eles não encontraram nada. Em seguida, Joanilson e a policial seguiram para um lado da rua, e que o filho teria ido na frente. Dona Regina relata  que ficou na portão com a esposa de Joanilson, e que minutos depois a nora ouviu os disparos de arma de fogo e percebeu  que o marido havia caído no chão.

A mãe da vítima diz  que mesmo com dificuldade de locomoção, caminhou até o local da tragédia e encontrou o filho todo ensanguentado. “Alguém socorre meu filho. Ele não é bandido, ele é policial”, implorou, afirmando que  Joanilson estava desacordado e que quando retomou a consciência pediu para que alguém estancasse o sangue.

Dona Regina afirma que apenas um colega de farda de Joanilson, da PM da Bahia, vizinho da família  prestou ajuda e pediu para ele se acalmar. Segundo ela, o  efetivo da Polícia Civil de Pernambuco, que participava da operação na rua, não prestou os primeiros socorros. Já o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência  chegou após 30  minutos para atender a ocorrência.

A mãe da vítima disse que não viu quem atirou, mas que uma testemunha afirmou que os policiais chegaram atirando e que os disparos chegaram a perfurar o portão de uma residência  e danificaram até o pneu do carro que estava na garagem.  “Ela disse que não morreu pelo milagre de Deus. Disse que estava com uma criança no braço e se abaixou, mas que a bala passou perto”,  destacou  sobre um trecho do  depoimento da testemunha.

“A conversa é essa… disse que confundiram ele com bandido. Agora o erro tá aí… mesmo sendo um bandido, tinha que atirar na cabeça? não podia atirar numa perna e algemar?  ele não tinha escapatória”, lamentou.

Dona Regina  diz que a arma de Joanilson, que estava com ele, foi apreendida no local. “Eu disse, porque ela vai pra perícia se ele não atirou em ninguém? Aí  o delegado disse, justamente para isso,  pra  provar que ele não atirou em ninguém”.

“Eu desejo que a justiça seja feita. Quando um policial sai pra rua ele deve está preparado para saber agir em certas situações, não é sair atirando… ninguém merece, e não posso dizer que foi bandido que atirou nele, que não foi, foi a polícia que atirou nele. Há, mas confundiu com bandido… Isso é justificativa? isso não é justificativa”, assegurou, revelando que não acompanhou o filho no hospital pois precisou prestar depoimento na delegacia. “Recebi só a notícia do óbito”.

A viúva de Joanilson, Ingrid Silva da Rocha acrescentou que  os policiais  de Pernambuco não prestaram os  primeiros socorros ao esposo. “deixaram ele morrer. Eles são instruídos a fazer os primeiros socorros e não fizeram isso”, lamentou.  Ela disse que a PC-PE não está prestando apoio para a família, apenas a PM-BA. “Queremos justiça”.

Colaboração e fotos: Ivo da Hora

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