Pandemia provoca queda no registro de casos por sífilis em Pernambuco

Neste sábado (16), será comemorado o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita. A Campanha Outubro Verde promove visibilidade e conscientização sobre a sífilis congênita, doença sexualmente transmissível, caracterizada pela transmissão da sífilis da mãe para o feto ou para o recém-nascido. A doença possui diagnóstico e tratamento pela rede pública de saúde. Pondendo ser evitada a partir de relações sexuais com uso de preservativo destribuidos de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A comemoração acontece em todo o Brasil sempre no terceiro sábado do mês.

Em decorrência do novo coronavírus, Pernambuco reduziu em 44,7% o número de casos de pessoas com sífilis adquirida, transmitida pelo contato sexual, comparados aos anos de 2019 e 2020. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), neste último período foram registradas 4.676 ocorrências. Em 2019 foram 8.468 notificações. Até o dia 9 de agosto deste ano, 3.529 casos de sífilis adquirida já foram detectados em Pernambuco.

Dentre os casos da sífilis adquirida, é possível monitorar os casos que envolvem gestantes. Entre 2019 e 2020 houve um aumento de 15 casos, totalizando 3.427 ocorrências no ano de 2020. Já em agosto deste ano, foram registrados 2.003. “Além de testar a pessoa gestante, é importante que a parceria também seja testada. Em casos positivos, ambos precisam fazer a adesão ao tratamento para evitar reinfecção e consequente transmissão para o bebê. Destaco que a relação sexual durante a gestação não precisa ser evitada, apenas realizada de forma protegida.”, reforça Camila Dantas.

“É uma realidade que não é exclusiva de Pernambuco. Com a pandemia isso vem acontecendo em todos os estados. Há uma diminuição da notificação dos números de casos por causa da Covid-19, porque a população começou a procurar o hospital exclusivamente para a Covid.”, relata o médico infectologista Filipe Prohaska.

No caso da sífilis congênita, que é transmitida da mãe para o bebê durante a gravidez ou o parto, foram 1.672 casos em 2019, 1.704 em 2020 e 903 até o início de agosto deste ano. “As doenças sexualmente transmissíveis são preveníveis com o uso de preservativos, é importante o uso de preservativos sempre. Nas pessoas que você já tem uma relação mais frequente e que são parceiros fixos, é importante solicitar exames não só para sífilis, mas como hepatite e HIV. A melhor forma de prevenir é o uso de preservativos e solicitar os exames. Todos esses exames podem ser solicitados na atenção básica e também na rede secundária de saúde.”, reforça Prohaska.

Por ser uma doença classificada por uma lesão indolor no corpo do pênis ou vagina, desaparecendo ao longo do período, o diagnóstico para as mulheres tende a não ser evidenciado, resultando em uma transmissão congênita, geralmente descoberta nos exames de controle durante a gestação. A não realização do tratamento pode trazer complicações na gravidez, e para o feto questões como microcefalia e malformações congênita e o aborto expontâneo.

Para aqueles que possuem interesse em diagnosticar a doença, é possível realizar gratuitamente teste rápido através de postos de saúde. Tanto o diagnóstico quanto o tratamento são ofertados gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

“A sífilis tem cura sim. O tratamento é bastante simples, mas sempre lembro que não adianta tratar sífilis sozinho, tem que ser você e seu parceiro. Porque se você tratar e tiver relações desprotegidas com a pessoa contaminada, você vai voltar a ser contaminado com  a sífilis, cria um ciclo vicioso.”, reforça o infectologista.

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