O casal da Lava Jato: João Santana e sua mulher já estão em Curitiba

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O marqueteiro do PT João Santana e sua mulher e sócia, Mônica Moura, chegaram a Curitiba, sede da Operação Lava Jato, por volta das 11h40 desta terça-feira escoltados pela Polícia Federal. O casal será levado para a Superintendência da Polícia Federal, centro nervoso das investigações. Os dois receberam voz de prisão ao desembarcarem em São Paulo, duas horas antes, quando chegaram da República Dominicana.

Os dois devem ser levados às 15h para o Instituto Médico Legal, em Curitiba, onde farão exame de corpo de delito. Depois, retornam para a sede da PF. O marqueteiro e a mulher participavam da campanha de reeleição do presidente da República Dominicana.

Operação Acarajé

A deflagração da Operação Acarajé serviu de combustível para turbinar o desejo da oposição em cassar a chapa eleitoral vencedora em 2014 Dilma Rousseff e Michel Temer. Na avaliação de ministros e ex-integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o envolvimento do marqueteiro da campanha presidencial João Santana em denúncias de corrupção agrava a já delicada posição do governo, que enfrenta também um processo de impeachment na Câmara.

Para o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, a situação se torna “muito delicada”. Porém, o magistrado — único a ter presidido a Corte eleitoral por três vezes — pondera que é preciso aguardar a conclusão das ações e não antecipar desfecho. “Vamos ver como a relatora (ministra Maria Thereza Assis Moura) colocará a matéria e que prevaleça o direito posto. O que for melhor em termos de harmonia com o direito. Sem dúvida alguma são fatos relevantes e que terão de ser examinados pelo TSE. E a situação se torna, sob a minha, ótica muito delicada. Não podemos antecipar qualquer conclusão, qualquer desfecho”, analisou o ministro.

Marco Aurélio avalia sobre a dificuldade de se adiantar o resultado dos votos de um colegiado. “É muito difícil prever qual vai ser o resultado em um colegiado julgador. Agora, realmente os fatos são preocupantes a partir das delações. Não conheço o teor das delações. O que tenho conhecimento é do que foi estampado nos jornais, mas temos que esperar: o Tribunal Superior Eleitoral é um colegiado”, afirmou ao Correio. Três ações e uma representação tramitam em separado no TSE em favor da cassação da chapa presidencial Dilma e Temer. O PSDB informou ontem que vai anexar as novas investigações da Lava-Jato aos processos em tramitação no TSE.

Outro ministro ouvido pelo Correio afirmou, de forma reservada, que a situação da presidente e do vice ficam “mais complicadas”. “A prisão foi em razão de depósitos feitos no exterior. Agora, esses depósitos se referem à campanha? Isso precisa ser esclarecido porque esta prisão evidentemente está baseada em provas e, de certa forma, complica a situação daqueles que patrocinou as campanhas”, pontuou. “Vão ter que esclarecer por que os depósitos foram feitos no exterior, se o negócio foi feito no Brasil. Quem fez o depósito? Cumpriu-se a lei em relação à Receita Federal, ao Banco Central?”, questionou um ministro, sem querer ser identificado.

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