Morre Padre Reginaldo Veloso, autor de músicas da liturgia cantadas nas dioceses de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA)

O padre Reginaldo Veloso morreu aos 84 anos, no Recife. A morte aconteceu na noite da quinta-feira (19), por volta das 23h. O ex-pároco do Morro da Conceição, na Zona Norte da capital pernambucana, estava em tratamento contra um câncer.

Padre Reginaldo deixou a esposa Edileuza Osório Pereira Veloso, com quem era casado desde 1994, e o único filho do casal, João José

Por meio de nota, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), expressou “profundo pesar” pela morte do padre Reginaldo e afirmou se “solidarizar com seus familiares, amigos e seguidores neste momento de dor e tristeza”, além de desejar que “ele esteja em paz”.

No texto, o governador se referiu ao padre como “um humanista que dedicou sua vida às causas sociais e ao trabalho pelos mais necessitados” e falou sobre a trajetória do religioso.

Reginaldo Veloso foi presbítero na Arquidiocese de Olinda e Recife, onde exerceu seu ministério sacerdotal na Paróquia Santa Maria Mãe de Deus, no bairro da Macaxeira, e na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Morro da Conceição. Muito contribuiu para o Setor de Música Litúrgica da CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil] com suas composições, muitas das quais cantadas nas celebrações litúrgicas em todo o Brasil, principalmente nas igrejas das dioceses de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA).

José Reginaldo Veloso de Araújo nasceu no município de São José da Lage, em Alagoas, no dia 3 de agosto de 1937. No ano de 1951, ele foi para o Seminário do Recife, onde fez o curso ginasial e estudou filosofia.

Em 1958, foi para Roma, onde estudou teologia e história da igreja até ser ordenado padre, em 1961. Após voltar ao Recife em fevereiro de 1966, foi professor do seminário por dois anos. Em 1968, assumiu a Paróquia de Santa Maria, no bairro da Macaxeira, na Zona Norte do Recife, onde ficou por dez anos.

Em maio de 1978, ele se tornou pároco de Nossa Senhora da Conceição, no morro onde existe o santuário da santa e no qual ele desenvolveu o trabalho com a comunidade que o tornou conhecido.

O padre Reginaldo foi um incentivadores das comunidades eclesiais de base, formadas por paroquianos que se organizavam para, como cristãos, atuar politicamente. O objetivo era melhorar a vida da população nos bairros mais pobres, em questões como direito à moradia e aos serviços públicos.

Por causa dessa atividade junto à comunidade, padre Reginaldo ganhou a admiração do arcebispo emérito de Olinda e Recife, dom Helder Câmara.

O padre Reginaldo foi perseguido pelo regime militar. Compositor de hinos religiosos, ele foi preso por fazer uma música em homenagem ao padre italiano Vitor Miracapilo, pároco do município de Ribeirão expulso do Brasil pelo governo militar no começo da década de 1980, acusado ser subversivo.

Em 1985, dom Helder Câmara deixou o comando da Arquidiocese de Olinda e Recife e foi substituído por dom José Cardoso Sobrinho, que era contrário à atuação das comunidades eclesiais de base.

No ano de 1989, dom José Cardoso Sobrinho destituiu o padre Reginaldo da Paróquia do Morro da Conceição e o suspendeu do exercício do sacerdócio. A alegação foi de que o padre incitava, nos fiéis, uma aversão ao arcebispo.

A comunidade do Morro da Conceição ficou solidária com o padre Reginaldo e protestou, mas a decisão não foi revogada pelo arcebispo. O padre se recusou a deixar a paróquia. A arquidiocese entrou na Justiça com um pedido de reintegração de posse para que um novo pároco pudesse assumir.

A comunidade do Morro da Conceição resistiu e foi necessária a intervenção da Polícia Militar (PM) para que a ordem judicial fosse cumprida. Padre Reginaldo teve que entregar a paróquia e deixou também a coordenação da tradicional Festa de Nossa Senhora da Conceição.

Mesmo sem atuar como sacerdote, padre Reginaldo continuou trabalhando junto às comunidades e aos movimentos sociais, na defesa das pessoas mais necessitadas.

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