Morre Major Ferreira, conhecido pelo ‘Escândalo da Mandioca’

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O ex-major da Polícia Militar de Pernambuco José Ferreira dos Anjos, 73 anos, conhecido como Major Ferreira, morreu na manhã desta segunda-feira (19), vítima de infarto, no Recife. Ele foi condenado por ter sido o mandante do homicídio do procurador de Justiça Pedro Jorge de Melo e Silva, em 1982.

Na época do crime, o ex-policial militar tinha sido indiciado pelo procurador pela participação no ‘Escândalo da Mandioca’, como ficou conhecido o esquema milionário de fraude contra o Banco do Brasil. O homicídio, segundo investigação da Polícia Federal, foi uma retaliação ao trabalho de investigação do procurador.

O ex-major estava em casa, em um condomínio de prédios na Avenida Caxangá, quando passou mal e foi socorrido e levado para a UPA da Caxangá, onde faleceu. Ainda não se sabe onde e quando será o enterro.

Crimes contra o Estado e contra a vida

Pedro Jorge foi executado após denunciar um esquema de desvio de dinheiro da agência do Banco do Brasil de Floresta, no Sertão. O golpe desviou cerca de R$ 35 milhões (em valores atuais) e até hoje é considerado um dos maiores desfalques aos cofres públicos praticados no estado.

O esquema consistia na obtenção de documentos falsos para conseguir créditos agrícolas para o plantio de mandioca. Os golpistas apresentavam cadastros frios, propriedades fictícias e documentos de agricultores fantasmas, mas depois alegavam que as plantações tinham sido destruídas pela seca e não pagavam os empréstimos.

Elias Nunes Nogueira foi preso e condenado pela morte de Pedro Jorge. De acordo com a polícia, ele foi o homem que disparou três vezes contra o procurador no dia 3 de março de 1982, quando a vítima saía de uma padaria em Olinda.

Um dia após o crime, a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar quem eram os mandantes. A atuação no procurador na apuração do Escândalo da Mandioca  foi a principal linha de investigação.

Ao final do inquérito, sete pessoas foram indiciadas pela Justiça Federal em 1983, entre elas o ex-policial, que foi preso. Ele foi condenado a 32 anos de prisão por assassinato e falsidade ideológica.

Pouco mais de um mês após a condenação, Ferreira fugiu do batalhão da PM onde estava preso. Na ocasião, o então governador de Pernambuco Roberto Magalhães determinou a sua exoneração da PM. Ele passou 12 anos foragido até ser preso na cidade de Barreiras, na Bahia. Após cumprir dez anos de pena, foi beneficiado com um indulto presidencial e estava em liberdade desde 2003. (OP9/Foto: JC Online).

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