Ministério da Saúde faz campanha para alertar os riscos do vírus HPV

Aprovada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacina contra o papilomavírus humano (HPV) segue enfrentando dificuldade de adesão entre população. Até o início deste mês, a cobertura da segunda dose não tinha atingido nem metade das meninas público-alvo e só havia alcançado 11,6% dos meninos. O Ministério da Saúde realiza até o fim desta semana campanha publicitária chamando atenção para essa realidade.

O HPV é um vírus que infecta pele e mucosas de homens e mulheres e pode causar desde verrugas genitais até diversos tipos de câncer, sendo o mais frequente deles o câncer do colo do útero. É considerada uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST). “É um vírus transmitido principalmente pela via sexual, que causa geralmente lesões genitais tanto no pênis quanto na vagina. Também pode acometer a região anal e perianal. A forma de apresentação clínica mais comum são verrugas cutâneas. Lesões na língua e mucosa oral também podem ser causadas por essa infecção”, explica o infectologista da Rede D’Or São Luiz Tomáz Albuquerque.
O problema é que a infecção por HPV não apresenta sintomas na maioria das pessoas, podendo passar de meses a anos sem manifestar sinais visíveis a olho nu ou manifestações subclínicas. “O vírus também é oncogênico, o DNA dele pode produzir lesões malignas e aumentar as chances de câncer de pênis, na região anal, de colo de útero. É quando ele se reveste de uma importância maior, já que a infecção do colo de útero não é sintomática e nem facilmente identificável se a mulher não tiver o cuidado de fazer o exame preventivo”, acrescenta Tomáz.
Segundo estudo realizado pelo projeto POP-Brasil no ano passado, a prevalência estimada do HPV no Brasil é de 54,3% na faixa etária de 16 a 25 anos. O estudo entrevistou 7,5 mil pessoas nas capitais do país. Os dados da pesquisa mostram que 37,6% dos participantes apresentaram HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer.
É por isso que a vacinação tem papel determinante na prevenção. Ela previne vários tipos de cânceres nas mulheres e homens. No mundo, dos 2,2 milhões de tumores provocados por vírus e outros agentes infecciosos, 640 mil são causados pelo HPV. A vacina usada no Brasil previne 70% dos cânceres do colo útero, 90% câncer anal, 63% do câncer de pênis, 70% dos cânceres de vagina, 72% dos cânceres de orofaringe e 90% das verrugas genitais. Além disso, as vacinas protegem contra o pré-câncer cervical em mulheres de 15 a 26 anos, associadas ao HPV 16/18.
A vacina é voltada para meninas entre 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Ela é dividida em duas fases, sendo a primeira administrada em março e a segunda seis meses depois. Esse é um momento de inflexão, quando o público-alvo deixa de procurar os postos de saúde. Nos últimos cinco anos, 75% das meninas tomaram a primeira dose no estado, mas só 47% a segunda. (DP).

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