Lula oficializa indicado do Centrão na presidência da Caixa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou nesta sexta-feira a nomeação de Carlos Antônio Vieira Fernandes para a presidência da Caixa. Ele assume o comando do banco no lugar de Rita Serrano, demitida como parte das negociações para aproximar ainda mais o Centrão do governo.

Fernandes é indicado do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Servidor de carreira da Caixa, o novo presidente do banco começou a pavimentar sua ascensão no banco há dez anos, no governo Dilma Rousseff. A partir de 2013, ocupou postos-chave em ministérios de orçamento robusto, o que o aproximou do trâmite de liberação de emendas parlamentares e estreitou sua relação com o Congresso.

Na função de secretário-executivo do Ministério das Cidades, foi braço-direito de Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), hoje líder da Maioria na Câmara; e de Gilberto Occhi, nome próximo ao Centrão. A experiência o levou a exercer a mesma função na pasta da Integração Nacional, quando Occhi foi para o cargo. Vieira Fernandes também presidiu o Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa, já no governo de Michel Temer. A amigos, ele disse ontem que uma conjunção de fatores o levou à indicação. E também relatou que foi aconselhado a se recolher até a publicação no Diário Oficial, para evitar entrar na mira de adversários.

A ofensiva do Centrão terá novos capítulos, já que o acordo alinhavado com o Planalto prevê que as 12 vice-presidências da Caixa também sejam ocupadas por indicados do bloco partidário. A estratégia é repartir o espaço entre PP, Republicanos, PSD e União Brasil. O loteamento resultou em escândalos em governos petistas, com acusações de desvios levadas à Justiça. Já na gestão de Jair Bolsonaro, Pedro Guimarães, que presidiu o banco, virou réu por assédio sexual. Ele nega as acusações.

A troca aprofunda a aliança de Lula com o Centrão, consolidada em setembro com a entrada dos deputados André Fufuca (PP-MA) no Ministério do Esporte e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) na pasta de Portos e Aeroportos. Na campanha eleitoral, o presidente chegou a afirmar que, se eleito, teria que “dar um jeito” no grupo.

Contando mandatos interinos, esta é a sexta troca na presidência da Caixa desde 2018. Ou seja, em média, cada ocupante fica no cargo por um ano. O banco desperta a cobiça de políticos por operar programas que garantem visibilidade e entregas na ponta da sociedade, como o Minha Casa Minha Vida e o Bolsa Família, ambos de forte apelo eleitoral, além de fornecer crédito a projetos de infraestrutura de estados e municípios.

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