Em campanha, produtores rurais do Vale cobram instalação de flutuantes no reservatório de Sobradinho

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O Sindicato Patronal Rural (SPRP) e a Câmara de Fruticultura de Petrolina lançaram esta semana a campanha #FlutuanteJá, que visa a cobrar das autoridades estaduais e federal urgência na instalação de sistemas flutuantes de captação de água no Lago de Sobradinho, os quais atenderão ao Projeto Senador Nilo Coelho, incluindo a área Maria Tereza. Segundo delegado e representante do Sindicato Patronal Rural de Petrolina, Walter Rocha, várias reuniões e até audiências públicas vem sendo realizadas nos últimos meses no intuito de alertar as autoridades e buscar soluções para a eminente falta de água na região.

Apenas em 27 de junho, o Ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, assinou um repasse da ordem de R$ 38,3 milhões destinados à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco para a execução de ações voltadas ao abastecimento d’água em quatro estados nordestinos – Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Desse montante, Pernambuco ficará com R$ 28,75 milhões, dos quais cerca de R$ 26 milhões serão destinados à instalação de flutuantes no lago.

Porém até esta semana, a licitação para realização da obra ainda não foi realizada e o valor destinado não é suficiente para atender à demanda.

“Seriam necessários R$ 39 milhões em investimentos. Estamos aguardando um posicionamento do Governo do Estado; já conseguimos R$ 2,5 milhões com a Prefeitura Municipal de Petrolina e mais cerca de R$ 5 milhões junto aos produtores rurais desses dois projetos, mas ainda estamos longe do nosso objetivo. Queremos cobrar celeridade da esfera federal, convocar os demais produtores rurais da região para fortalecerem a causa e, ainda, conscientizar a população – ainda alheia à gravidade da crise hídrica de estamos vivendo”, disse Walter Rocha.

Entenda a situação

De acordo com estimativas da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), divulgadas através do Distrito de Irrigação Nilo Coelho (DINC), mesmo com diminuição da vazão para 900 m³/s, o reservatório chegará entre os meses de outubro e novembro em seu volume morto caso não chova até outubro de 2015.

Além de uma situação de racionamento no uso da água e desabastecimento para cerca de 150 mil habitantes de agrovilas e lotes de Petrolina; do distrito de Rajada e Pau Ferro, além das cidades de Dormentes e Afrânio, a situação atingirá em cheio a agricultura irrigada praticada nos municípios. Atualmente a atividade é a principal mantenedora da economia petrolinense, a qual carrega para si o título de terceiro maior PIB de agricultura do Brasil.

Segundo dados do DINC, haverá perda da safra agrícola 2015-2016 devido à baixa produtividade ou perda total de produção, que se pode estimar em 1 bilhão de reais. Os pomares perdidos podem levar até 5 anos para se recuperarem. “No Perímetro Nilo Coelho há, estimados, 120.000 empregos diretos e indiretos gerados pela agricultura irrigada que estão na iminência de serem extintos – isso sem contar o impacto nos outros setores ligados, principalmente o comércio”, complementou Walter Rocha. A instalação das bombas flutuantes é essencial para evitar a cessão total do abastecimento de água no âmbito agrícola, pois o atual canal de aproximação que faz a retirada de água do lago, com extensão de 1.700 metros, ficará distante da margem caso o nível chegue no volume morto.

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