Descaso na gestão Paulo Bomfim: Pai acusa hospital de negligência depois da filha morrer horas após parto em Juazeiro (BA)

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O promotor de vendas Herlon Muzatier acusa a Maternidade Municipal de Juazeiro, no norte da Bahia, de negligência, após a filha que ele a esposa estavam esperando morrer horas depois do parto, no ultimo dia 20 de agosto. Mais um descaso na gestão de Paulo Bomfim.

Após a denúncia, a dona de casa Andressa Fernandes, que também teve filho no local dias antes, relatou ter sido abandonada no corredor da unidade de saúde e agora se juntou a Herlon para processar o hospital.

Herlon disse que, depois de nascer, a filha precisava ser transferida para uma UTI neonatal, mas a maternidade não dispõe de um setor assim.

“Eu observei que a médica falou que o colo do útero dela [a esposa] estava colado, resistente. Aí, ela chamou outro médico, que botou uma cadeirinha que começou a subir e pressionar a barriguinha dela. Quando pressionou, depois de uns 10 minutos, ela teve a bebê. E a bebê nasceu roxa. Não estava respirando na hora. Depois, a médica veio informar que ela não tinha resistido, porque não tinha UTI e ela não tinha como ficar com a bombinha manual fazendo a reanimação”, destacou.

Complicações e problemas no coração aparecem no atestado de óbito da filha de Herlon como causas da morte da criança. A família, no entanto, contesta. “Eu tenho as ultrasson, tenho tudo que comprova que milha filha estava perfeita”, destacou.

Depois que Herlon denunciou a morte da filha recém-nascida, surgiram outras denúncias contra o atendimento prestado a mulheres em trabalho de parto na maternidade municipal. Uma delas foi a de Andressa Fernandes.

O segundo filho dela nasceu no dia 28 de julho na maternidade, mas ela disse que não foi do jeito que esperava.
“Eu já estava com a bolsa estourada e andava pelo corredor dizendo que estava pingando sangue. Minha mãe pediu para que a moça viesse me olhar e ela disse que tinha chegado o horário de descanso dela, que tinha acabado o horário do plantão e que era para esperar outra [funcionária] chegar”, destaca.

“Depois, eu agarrei na mão dele [outro funcionário] e pedi para me ajudar porque eu não estava me aguentando mais. Eu estava de joelhos e ele me soltou como se fosse um cachorro. Disse que somente eu e Deus eram quem podiam me ajudar. E eu já havia estourado a bolsa. Depois eu levantei para andar e a cabeça do menino desceu e eu peguei e me joguei no chão”, disse emocionada.

O parto de Andressa foi no corredor do hospital, ao lado de lixeiras, e foi filmado pela mãe dela. Atualmente, a dona de casa recebe acompanhamento psicológico e diz que só tomou coragem para denunciar o caso após saber da morte da filha de Herlon. “Depois que eu vi a filha dele ali daquele jeito, eu resolvi procurar. Eu vou até o fim, vou até onde der”, diz a jovem.

Herlon e Andressa contrataram um advogado para processar o município por negligência. “Por ausência de assistência, que é o mínimo que pode se ter com relação à dignidade da pessoa humana. Se não tem condições, eles têm que fechar”, destaca o advogado dos dois, Valtércio Mendes.

A secretária de Saúde de Juazeiro, Fabíola Ribeiro, admite que o atendimento não foi adequado no caso de Andressa. “Não foi adequado, não foi humanizado, porque a equipe, de alguma forma, não acolheu aquela mulher mesmo ali no chão”, destacou. (Fonte/Foto: G1-BA).

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