COMPIR promove evento na Univasf em Juazeiro para discutir sobre violência policial

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O ato de violência policial contra o professor Nilton de Almeida Araújo motivou o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade (COMPIR\Juazeiro) a tomar algumas iniciativas. Uma delas é a realização nesta 4ª feira, (9.12), às 14h30, na sala 28 Núcleo Temático, no 1º andar do bloco de aulas da Univasf\Juazeiro, uma mesa de diálogo. Participam do debate o presidente do COMPIR e professor da UNIVASF, Claudio Almeida, a Diretora do DCH III\UNEB, Márcia Guena, um representante do Comando da PM de Juazeiro e o professor Nilton de Almeida Araújo. Afora esse evento o COMPIR está exigindo da PM a punição dos policiais envolvidos na violência e, do Estado, ações efetivas de enfrentamento do racismo institucional.

Nilton de Almeida Araújo é doutor e professor na UNIVASF, onde coordena as ações relativas ao mês da Consciência Negra. Ao ser abordado e revistado por policiais militares no último dia 28 de novembro, durante uma blitz nas proximidades de sua casa, em Juazeiro, foi agredido, com um tapa no rosto, algemado, jogado no fundo de um camburão e levado para a delegacia mais próxima. O COMPIR entende que essa ação policial se constituiu em abuso de autoridade, racismo institucional, constrangimento público e privação de liberdade.

O caso aconteceu em uma semana onde a mídia nacional noticia a execução de cinco jovens negros por policiais militares e a população negra promove em todo o país vários atos de repúdios a violência policial. O COMPIR entende que a agressão física não pode continuar sendo uma ferramenta de trabalho cotidiano da polícia. Afinal homens e mulheres têm direitos sobre seus corpos, os quais não podem ser violados pelo poder público.

Várias mídias brasileiras divulgaram no começo deste ano, um estudo feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrando que o risco de um jovem negro ser assassinado no Brasil tem aumentado e supera em 2,5 vezes a possibilidade de um jovem branco ser vítima de homicídio. No Nordeste 87% dos jovens assassinados são negros. Em Juazeiro, a sociedade tem denunciado o crescimento violento da morte de jovens negros, provocando o aumento desses índices. Uma guerra que tem vitimado apenas uma parte da população, o que leva a sugerir uma revisão do modelo de política de Segurança Pública no Brasil, as abordagens policiais e as prisões diferenciadas para negros e brancos, moradores de bairros populares e de classe média, por exemplo.

Além da punição dos policiais agressores, o COMPIR, na intenção de enfrentar o racismo institucional contra a população negra, praticado, principalmente pela PM, sugere a realização de um curso de formação de policiais em raça com o propósito de excluir a agressão física das práticas de trabalho cotidianas da polícia e, também, da política de Segurança Pública do país. Nesse sentido convidou a Secretaria de Promoção da Igualdade (SEPROMI) para contribuir nessa formação. O conselho acredita que uma ação conjunta, com a participação do Estado e da sociedade civil, será possível reduzir os vergonhosos índices de violência contra a população negra.

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