Coluna Literária do Domingo

O quarto filho.

Tudo começou do nada. Nada era a fartura que havia. Um chão seco, um sonho e as traquinagens de todo menino travesso. Eu era um deles.
Mas tudo era apenas o começo.

Primeiro, veio o nome: Maciel de Melo Santos. Porque meu pai me deu esse nome? Não sei. Acho que foi pela sonoridade. Talvez por achá-lo bonito, ou talvez pela maciez da pronúncia da palavra Maciel; talvez para homenagear algum ídolo, ou quem sabe pela facilidade da rima: ele poderia rimar com o céu dos retirantes, com o mel do favo da abelha, que escolhe sempre as mesmas flores para fabricar seu alimento.

Meu pai era um sábio. Minha mãe, uma costureira, religiosa assídua, dona de casa severa na hora de educar os filhos. Eu sou o quarto filho mais velho. Enquanto ela me ninava, eu meninava, pendurado na barra da saia dela.
E aí, perguntava: por quê?
E aí, ela me explicava.
E aí, eu perguntava de novo: mas por quê?
E aí, ela cantava todos os hinos religiosos, com a voz afinadíssima, que até hoje ressoa em meus ouvidos, e toda vez que me deito, hiberno ao som das melodias gregorianas que ela entoava, embalando meu sono, imaginando o que seria de mim quando o mundo me tirasse dos seus braços.
Sinto saudades da minha meninice. Dos banhos de barreiro, das estripulias que fazíamos, eu e meus irmãos…

Somos onze: Seis homens e cinco mulheres, cada qual com sua peculiaridade.
Miguel, Socorro, Marli, Maciel, Maisa, Marcos, Marcone, Maviael, Maeve, Marta e Marcio. A religião está na doutrina da família. Por sermos muitos, muitas também são as crenças. Alguns são católicos, outros são protestantes; outros, apáticos; e eu, fico cá com minha música, “meus delírios, minhas calmas” meus demônios, minhas almas, meus pesadelos, meus sonhos. Meus deuses estão na sonoridade do meu canto, nos meus versos benfazejos, na sublimidade das palavras que compõem meus poemas. Meu Deus é único e serve a todos os segmentos que buscam a paz, a luz, a sabedoria, o bom senso, e a igualdade humana.

Quando fomos acometido pela pandemia, eu preocupado, liguei para minha mãe, pra saber se ela estava se cuidando, lavando as mãos; ela me respondeu: Continuo lavando as mãos, na mesma bacia que banhei a alma de vocês tudim: A BÍBLIA.

Por Maciel Melo

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