Caso Aldeia: ‘Vim pelo meu pai’, diz filho após acusar mãe em julgamento

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Filho caçula da farmacêutica Jussara Rodrigues da Silva Paes e do médico cardiologista Denirson Paes da Silva, Daniel Paes Rodrigues é uma das cinco testemunhas de acusação do julgamento da mãe, que começou nesta segunda-feira (4), no Fórum de Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife. A ré é acusada de matar o marido, natural de Campo Alegre de Lourdes (BA), em 31 de maio de 2018.

“Vim pelo meu pai, que era um excelente pai e amigo. Espero que seja feita a justiça. É um momento muito forte pra mim, mas eu estou aqui por ele”, afirmou Daniel à imprensa após depor no julgamento. O filho foi a primeira das testemunhas de acusação a depor e contou que não tinha mais nenhum relacionamento com a mãe e nem com o irmão, também acusado pela justiça do assassinato.

Segundo Daniel, os pais tinham “um casamento de muito anos, mas não era feliz”. “Eu quero que ela [Jussara] pague pelo que manda as leis e a justiça. Eu tô aqui para contribuir, mesmo não querendo estar”. Para ele, o médico cardiologista “é um exemplo a ser seguido. Tudo o que fiz em minha vida foi sempre seguindo ele”. Eu confio muito da justiça e na polícia desde o início”.

Daniel Paes foi a primeira testemunha a depor. Ele falou por cerca de vinte minutos, mas sem a presença da mãe na sala de júri – Jussara ficou, desde o início do julgamento, num carro estacionado diante do fórum e só entrou no imóvel após os depoimentos do filho e da empregada doméstica Josefa da Conceição dos Santos, que trabalhava na casa da família havia cinco anos, mas não estava no local no dia no crime. A informação é de que essas testemunhas teriam pedido para depor sem a presença da ré.

Além de Daniel e de Josefa, outras três testemunhas de acusação foram arroladas pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE): o policial civil Arlan Dourado Gomes da Silva, que participou das investigações; e os peritos do Instituto de Criminalística Diogo Henrique Leal de Oliveira Costa e Fernando Henrique Leal Benevides.

Em sorteio nesta manhã, foi definida a composição do Conselho de Sentença: cinco mulheres e dois homens. Jussara responde por homicídio triplamente qualificado, cometido por motivo torpe, com emprego de meio cruel, e cometido à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima; e também por ocultação de cadáver.

A dinâmica da sessão prevê considerações da acusação e defesa; ouvidas das testemunhas e acusação e da ré; votação e veredicto, dado pela juíza Marília Falcone, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Camaragibe. Não haverá testemunha de defesa.

Relembre o caso

O cadáver do médico cardiologista Denirson Paes foi encontrado em 4 de julho de 2018 dentro de uma cacimba da casa onde morava, no condomínio de luxo Torquato de Castro I, localizado no km 13 da Estrada de Aldeia, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. O desaparecimento do médico vinha sendo investigado desde o início de junho.

Em um Boletim de Ocorrência registrado em 20 de junho sobre o desaparecimento do marido, a farmacêutica Jussara Rodrigues Silva Paes alegava que a vítima teria viajado para fora do País e que não teria retornado desde então. A delegada Carmem Lúcia, de Camaragibe, desconfiou do envolvimento dos familiares e solicitou um mandado de busca e apreensão no condomínio em que eles moravam.

Na busca policial, realizada em 4 de julho, foram encontrados os primeiros restos mortais do médico na cacimba da residência. Para a polícia, havia indícios suficientes da participação de mãe e filho na ocultação do corpo de Denirson, Danilo. Em 5 de julho, Jussara e Danilo foram presos temporariamente suspeitos de ocultação de cadáver.

Danilo foi encaminhado para o Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everaldo Luna (Cotel), em Abreu e Lima. Jussara foi levada para a Colônia Penal Feminina do Recife. Em 20 de agosto, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou asfixia por esganadura como a causa da morte do cardiologista. Os três pedidos de habeas corpus feitos pela defesa de Jussara. Em dezembro passado, Danilo recebeu habeas corpus, obtendo liberdade. (Folha PE).

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