Baixo número de testes deixa Brasil mais vulnerável à segunda onda da Covid-19

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Logo após o primeiro caso de novo coronavírus ser confirmado no Brasil, em fevereiro, as autoridades tiveram dificuldade para adquirir insumos para testes, escassez observada em todo o mundo. Superado o problema, o país expandiu a capacidade de testagem, chegando a realizar 1.067.674 de testes em agosto. No entanto, antes de conseguir traçar estratégias para o enfrentamento da Covid-19 com base nos diagnósticos, reduziu o número de procedimentos. Em setembro, foram feitos 944.739 testes, e, até 24 de outubro, o total do mês estava em 711.213.

O secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, explicou, na semana passada, que a pasta vem garantindo a disponibilização de exames. “O teste é uma solicitação do prescritor. Cabe ao ministério disponibilizar os materiais para que se possa realizar o teste e o paciente, obter o resultado o mais rápido possível”, disse.

“O grande problema do Brasil é que não se construiu uma estratégia nacional de testagem. Essa é a maior vulnerabilidade: lidar com a situação da pandemia sem ter diagnóstico epidemiológico”, disse o gestor em saúde e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Adriano Massuda. Segundo o especialista, as análises são feitas com base no número de pessoas hospitalizadas e nos óbitos. “Ou seja, um diagnóstico tardio, quando já se perdeu a chance de desencadear medidas preventivas para contenção da doença.”

Sem essa estratégia, o país nunca conseguiu controlar a transmissão do vírus e as taxas de contágio (Rt) transitam na linha do descontrole. De acordo com o último levantamento do Imperial College, de Londres, a Rt brasileira está em 0,98, ou seja, cada grupo de 100 infectados está transmitindo a doença para 98 pessoas saudáveis. O risco é uma nova fase de contágio.

“Tivemos uma onda bastante prolongada, que se estendeu até algumas semanas atrás, quando o número de óbitos começou a diminuir. Mas, assim como está ocorrendo na Europa e nos Estados Unidos, é possível que aconteça uma segunda no Brasil, com perfil parecido ao da primeira, que foi afetando diferentes regiões em diversos momentos”, acredita Massuda. Ele afirma, ainda, que o país não está preparado para conter novos aumentos.

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