Após receber alta, menina de 10 anos que engravidou após ser estuprada não está mais em Pernambuco

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A menina de 10 anos, que engravidou após ser estuprada pelo tio, recebeu alta do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam) e não está mais no estado de Pernambuco. A notícia foi confirmada na quarta-feira (19) pela unidade de saúde em que a criança foi atendida. O Cisam não informou o dia e nem o horário em que a garota, que veio do Espírito Santo, deixou o hospital.

Vítima chegou ao hospital dentro de um porta-mala

A menina capixaba de dez anos vítima de seguidos estupros não precisou só viajar a outro estado para fazer valer o seu direito a um aborto. Ela também teve que se esconder no porta-malas de um carro para entrar no hospital no Recife (PE) enquanto o médico e diretor da unidade, Olimpio Moraes, atraía para o portão principal os fanáticos religiosos e políticos que se dividiam e bloqueavam todas as entradas para impedir a garota de realizar o procedimento.

A perseguição veio desde o aeroporto, onde anotaram a placa do veículo onde estava a criança, conta Olimpio, o obstetra pernambucano que desde 1996 faz abortos pelo SUS e dirige o Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), o primeiro a realizar abortos legais no Norte-Nordeste. São cerca de 50 desses procedimentos por ano, entre 30 e 40 relacionados a estupros.

Quem divulgou o nome da menina e qual unidade faria o procedimento foi a extremista bolsonarista Sara Giromini, conhecida como Sara Winter, que pode ser investigada por violações à Constituição Federal, ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e ao Código Penal, assim como o funcionário público que vazou a informação.

Ato em apoio à equipe médica do Cisam

Balões coloridos e frases de apoio e solidariedade de um grupo de estudantes de Medicina e Educação Física da Universidade de Pernambuco (UPE), na manhã desta terça-feira, para a equipe do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), que não se deixou intimidar pelos protestos de grupos religiosos que tomaram a frente da unidade de saúde no último domingo para tentar evitar a realização do procedimento de interrupção da gravidez da menina de 10 anos que foi vítima de estupro e era abusada pelo tio desde os seis anos de idade. O ato em frente à unidade também foi para levar carinho à criança que recebeu dos alunos uma cesta de chocolates e um ursinho de pelúcia.

A criança não tem mãe e o pai está preso. Segundo informações da União Brasileira de Mulheres, a menina estava sob a tutela da avó. “Com a prisão do tio, ele chegou a dizer que também fizessem o exame no avô e no outro tio da menina, o que dá a entender que ela sofria violência por outros membros da família, o que é bastante preocupante”, revelou Laleska dos Santos. (DiáriodePernambuco)

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