Representantes do Estado de Gansu, na China, visitam experiências de convivência com o Semiárido em Petrolina e Juazeiro

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barreiro

Membros do governo estadual da Secretaria de Conservação de Água do Estado de Gansu, China, estiveram em Juazeiro e Petrolina, no dia 27 de maio, para conhecer tecnologias de captação de água da chuva e ações que viabilizam a Convivência com o Semiárido. Acompanhados do Irpaa (Instituto regional da Pequena Agropecuária Apropriada), eles visitaram a Embrapa Semiárido e a comunidade de Cachoeirinha, em Juazeiro-BA. A comitiva era formada pelo Diretor, Yuanhong Li e vice-Diretor, Chengxiang Ma, do Instituto de Pesquisa de Conservação de Água do Estado de Gansu e Weigong Luan, Diretor Geral do Departamento de Recursos Hídricos do Estado de Gansu. O Irpaa tem contato com estes representantes desde 1995 quando conheceram o programa de captação de água de chuva na região semiárida da China, chamado P1-2-1.

Na visita, os representantes chineses conversaram com as famílias, observaram os plantios, as criações de animais e viram as tecnologias que hoje armazenam água da chuva para a produção de alimentos. Os visitantes destacaram o envolvimento comunitário das famílias de Cachoeirinha como fundamental no processo de Convivência com o Semiárido. Segundo eles, a participação popular é maior do que aquela que acontece na China.

Eles ainda destacaram a contribuição das ONG’s para o desenvolvimento social no Semiárido Brasileiro, o cuidado com o meio ambiente e o uso de água da chuva tanto para a produção vegetal, quanto para a produção animal. De acordo com os representantes a produção animal no Semiárido Chinês é prejudicada pelo pouco espaço disponível, haja vista o tamanho da população chinesa (seis vezes maior que a brasileira).

Segundo informações dos representantes chineses, o tamanho médio das terras na região semiárida da China é de pouco mais de um hectare/família. Isso faz com que os pequenos espaços de terra disponíveis sejam cultivados para produção apenas de vegetais, pois os animais precisariam de mais espaço. Além de pouco espaço para cultivo, as famílias orientais fazem uso abusivo das terras e isso tem causado sérios problemas. Os visitantes relataram várias consequências ambientais causadas, principalmente, pelo uso de adubos químicos e agrotóxicos. Há um quadro crescente de desertificação e enfraquecimento da produção. Segundo eles, hoje o governo chinês compra esterco para doar às famílias camponesas e incentivar a redução de utilização de adubos químicos nas áreas mais degradadas.

Programa que inspirou o P1+2

O programa chinês 1-2-1 (Uma Área de Captação, Duas Cisternas e Uma Terra) serviu de inspiração para o programa da Articulação do Semiárido Brasileiro, P1+2 (Programa Uma Terra e Duas Águas). No país oriental, o projeto também surgiu de uma iniciativa da população e, a partir de 1990, foi ampliado com a participação do governo. O programa chinês atualmente constrói quatro cisternas de 50 mil litros por família, sendo uma para reservar água para consumo humano, uma para garantir água para os animais (que são de até 10 ovelhas criadas em currais) e duas que armazenam água para a agricultura (trigo, fruteiras e verduras). Atualmente a Secretaria de Conservação de água de Gansu construiu 3,5 milhões de cisternas, que dão água de beber para 2,6 milhões de pessoas e fornecem irrigação de salvação para 33 mil hactare de terra.

Semiáridos

O clima Semiárido não é uma exclusividade brasileira. Existem áreas com característicasTirando água de beber e para uso em casa de uma cisterna subterrânea de 50 mil litros semelhantes ao brasileiro na África, Austrália e Estados Unidos, dentre outros. O Semiárido chinês tem solo profundo, porém não é eficiente para reter a água de chuva no solo por meio de barreiros, por isso, a tecnologia é a cisterna de 50 mil litros, totalmente enterrada no chão. Por outro lado, a evaporação potencial na China é de 1.400mm, bem menor do que no Brasil, que chega a 3.000mm. As chuvas são semelhantes às da região de Juazeiro. Segundo os chineses, lá chove cerca de 400mm por ano.

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