Justiça busca revelar donos de perfis, nas redes sociais, do desafio da Momo

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É possível encontrar, no Facebook, centenas de perfis com o nome Momo Silva, como o que incentivou a adolescente de 13 anos a automutilar o corpo com uma lâmina na última segunda-feira (10), em Jaboatão dos Guararapes. Ela é a mais recente vítima registrada da brincadeira em Pernambuco. Em agosto, um menino de nove anos morreu após se enforcar com um fio de náilon, cumprindo uma das etapas do desafio. “Não adianta a gente pedir a exclusão de um perfil como esse porque essa pessoa vai e cria outro logo em seguida. São muitos. O nosso trabalho é na identificação do criminoso por trás do perfil”, explicou a delegada Vilaneida Aguiar, que solicitou à Justiça que exija ao Facebook a identificação dos donos dos perfis.

O celular da menina passa por perícia no Instituto de Criminalística. “Nós identificamos qual o perfil que fez a abordagem com ela. E aí nós acionamos a Justiça para que o Facebook seja acionado e passe os dados cadastrais desse perfil, para só então nós atuarmos”, ressaltou Vilaneida. O processo, apesar de simples, não é tão rápido. “Por isso nós devemos trabalhar também na prevenção. É o que fazemos, assim como a Policia Civil, levando palestras para as escolas para abordar não somente esse tema, como outros tipos de violência, como a sexual”, afirmou Giovani Santoro, chefe de comunicação da Polícia Federal.

Giovani conta que os pais precisam ficar atentos à presença desses perfis nas redes sociais dos filhos, assim como nas publicações que são feitas. “Eles sabem muitos detalhes porque são encontrados facilmente em alguns perfis. Tem gente que posta a foto da filha com a farda, mostrando que a criança está indo para a escola. Ou seja, por meio de uma postagem, o criminoso já sabe o horário que a vítima estuda, onde, por conta da farda, e o nome de alguém da família.”

A Boneca Momo é um desafio muito semelhante à Baleia Azul que, mesmo com uma forma de atuação diferente, tinha como objetivo desafiar crianças e adolescentes levando com que eles se machucassem e até se matassem. “Qualquer pessoa pode fazer um perfil como esse. Não é crime, por isso não temos como atuar na desativação. Só podemos fazer algo quando o crime acontece ou quando a pessoa fica incentivando outra a se matar. Mas isso só depois de observarmos com as vítimas e comprovar. A criança pensa que a pessoa tem informações privilegiadas porque a conhece bem e acompanha, mas na verdade são informações resgatadas na internet”, explicou Giovani.

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